terça-feira, 16 de julho de 2013

Nunca Vire as Costas Para Mim



Eu vivo em um apartamento em uma cidade moderadamente grande. Moro no último andar de um prédio de 5 andares, e meu apartamento é um dormitório com uma enorme sala de estar com grandes janelas em direção a rua e ao prédio do outro lado. Aquele prédio tem um pequeno estacionamento na frente, por isso ele não muito próximo a minha janela (o que é bom, já que eu gosto de ter minha privacidade).

Sendo uma coruja da noite, gosto muito de ficar acordado até tarde da madrugada com meu notebook. Às vezes, eu espreito pela janela do prédio em frente, à procura de janelas iluminadas, perguntando se alguém por lá também era tão coruja quanto eu. No entanto, ontem à noite, eu queria não ter feito isso.

Tenho o costume de me sentar com meu notebook em frente as janelas. Ao longo das ultimas noites que passaram, eu conseguia enxergar pelo canto de meu olho uma janela escassamente iluminada no prédio do outro lado, e dentro dela, algum tipo de movimentação constante. Ontem à noite, minha curiosidade ultrapassou meu bom-senso, então desliguei meu notebook e fui direto a janela para conferir o que se passava lá. Certamente, eu pude ver alguém acenando para mim, mas apenas isso. A janela estava mal iluminado, mas eu podia definitivamente ver algum movimento. Pensei sobre isso por um segundo, e então fui buscar um par de binóculos. Depois de uma pequena procura, encontrei um par e voltei para a janela para dar uma olhada melhor na misteriosa janela.

Ao localizar a janela, pude dar uma melhor olhada no que se passava por lá. Parecia ser uma pessoa, iluminada por uma vela. Eu não consegui ver o rosto da pessoa, mas vi que ele estava acenando. Para mim, aparentemente, porque depois que eu consegui olhar pra ele com meus binóculos, ele parou de acenar por um segundo e, em seguida, apontou para mim. Eu senti um calafrio descer a minha espinha.

Isso foi muito assustador.

Ele apontou para mim, e então, fez um movimento circular com o dedo. Ele continuou fazendo durante um tempo, até que eu percebi que ele estava sinalizando porque queria que eu me virasse. Reagindo por instinto, eu rapidamente me virei como se estivesse esperando por instinto que algo pulasse pra cima de mim. Não havia nada além da escuridão, obviamente, então eu apenas ri para mim mesmo e voltei para a janela com meus binóculos em mãos, apenas para encontra-la vazia, exceto pela vela se apagando lentamente.

Nisso, eu pulei pra trás e deixei cair os binóculos no chão, o barulho do impacto fazendo com que eu me assustasse ainda mais. "Mas... que... porra...?", pensei, mas logo em seguida, voltei aos meus sentidos e fui de volta para o notebook. Coloquei uma música para me acalmar e naveguei um pouco mais na internet, até que olhei para a hora e vi que já eram quase 4:30 da manhã, e então meu sono começou a vir. Então coloquei meu notebook em cima da cama, e caminhei através de um pequeno corredor que levava direto para o meu banheiro. Eu não havia deixado nenhuma luz ligada, mas quando me aproximei do banheiro, notei uma luz piscando do vão debaixo da porta. Meu corpo congelou. Mesmo que eu tivesse deixado a luz do banheiro ligada, uma lâmpada não produzia aquele tipo de iluminação.

Então caminhei lentamente até a porta, respirei fundo e levemente empurrei a porta. Quando entrei, para meu horror, eu encontrei uma vela deixada em cima da pia, revelando uma mensagem rabiscada no espelho: "NUNCA VIRE AS COSTAS PARA MIM".

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