terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A CASA ASSOMBRADA DO VALE

"Um lugar afastado, praticamente abandonado. O silêncio e a tranquilidade predominando em um ambiente onde já foi habitado à muito tempo por várias famílias, sendo o seu passado desconhecido.
Poderia um lugar como esse ser perturbado por entidades do além ou de outra dimensão?"


Segundo o relato à seguir, nem mesmo os locais mais esquecidos e afastados podem estar livres de seres do desconhecido!

Dessa vez seria diferente, eu pensei. Mas lá estava eu, sem dinheiro, sem trabalho, no meio do nada e morando em uma casa realmente assustadora e assombrada, a ultima coisa no mundo que eu queria.
Tudo começou quando eu decidi fazer uma nova tentativa de sair da cidade grande de uma vez por todas.
Eu odeio cidades grandes, mas sempre que acabava em uma para conseguir me sustentar financeiramente.
Esta é uma história, honesta e verdadeira sobre a casa assombrada onde eu fui parar.


Ela era isolada do mundo e o vizinho mais próximo ficava a mais de cinco quilômetros de distância.
Era o começo do verão e eu estava ansioso por sair da Grande São Paulo... de novo.
Finalmente depois de ter procurado em todo lugar, eu consegui um emprego como técnico de uma rádio em uma cidadezinha do interior paulista.
A cidade ficava a cerca de trinta quilômetros do vale quase inabitado onde eu esperava morar de novo.
Eu fui para a estação de rádio assim que cheguei na pequena cidade.
E depois de apresentações e ouvir o que era esperado de mim no
erviço, eu fui para o meu vale favorito.
Tudo estava um mar de rosas, pelo menos no começo.
Eu tinha alguns amigos no vale de quando eu morei ali antes, então eu achei que poderia ficar com eles até arranjar um lugar meu.
Depois de duas semanas, as coisas não estavam indo tão bem na estação de rádio.
Eles tinham mudado de idéia quanto a ter um técnico período integral lá.
No entanto, isso não acabou com as minhas esperanças de conseguir um bom emprego em outro lugar e conseguir ficar na região.

Eu já tinha visto várias casas para alugar, mas nenhuma me agradou muito.
Um dia finalmente, eu vi um velho amigo (Beto) e a sua recém casada esposa.
Ele também estava procurando um lugar para alugar e tinha algumas idéias que eu não tinha pensado.
Tinha um lugar que ele me descreveu que parecia ser maravilhoso.
Era uma casa de fazenda velha de dois andares, seis quartos, completa com celeiros e estábulos.
A casa estava a quinze quilômetros da cidade mais próxima e para chegar bela tinha uma estrada muito pouco usada.
O aluguel na época era de R$ 75,00 por mês.
O proprietário tinha baixado o aluguel da casa em troca de reforma feita nela, segundo Beto.
Eu estava começando a me animar, até que a sua querida esposa acrescentou que a casa era assombrada.
Como era a primeira vez que eu encontrava a esposado Beto, eu não sabia o que pensar.
Beto não era nem um pouco supersticioso.
E julgando pelo que eu tinha ouvido falar sobre a mulher dele, ela também não era. Mesmo assim, eu resolvi ir ver a casa.
Talvez ela não gostasse de casas antigas que precisassem de reforma.

Eu consegui chegar na casa no começo da tarde.
Era um verão quente e o ar fresco e as montanhas (serra) ao longe deram um ar muito atraente à casa.
Eu podia ver o celeiro e outras construções ao longo do terreno.
Quando eu me aproximei da porta da frente, eu notei que a maioria da madeira estava podre e tinham caído durante os anos, deixando a varanda intransitável.
Então eu lembrei que o Beto me falou para entrar pela entrada de trás da casa.
Eu fui lá pra trás e entrei na cozinha, pensando como seria bom morar em uma casa de fazenda.
Lá dentro eu fui recebido pelo som de uma torneira vazando. Eu fui para a pia e tentei, em vão, desligar a torneira.
Isso só piorou as coisas, começou a sair mais água. Então eu decidi deixar isso pra lá e continuar com a minha visita.
A cozinha era gigantesca (do tamanho de muita sala) com um teto bem alto, com armários grandes com porta de vidro.
Depois de ter olhado a cozinha e a fria despensa com entrada do lado da cozinha, eu continuei para a sala de estar.
A sala de estar devia ser duas vezes maior do que a cozinha, com um teto igualmente alto.
Eu estava cada vez mais empolgado. Saindo da sala eu entrei em um corredor que levava para a parte da frente da casa.
Do lado esquerdo do corredor tinha o único banheiro da casa.

Continuando pelo corredor tinham quatro quartos, sendo que três tinha janelas que davam para a frente da casa.
Dois dele tinham portas para fora da casa que davam para a varanda.
Eu ficava cada vez mais ansioso por morar naquela casa quanto mais eu olhava ela.
Tanto que eu até tinha esquecido o comentário que a esposa do Beto tinha feito.
Depois de ter feito o tour pela parte de baixo da casa, eu subi para ver o andar de cima (a casa originalmente tinha sido construída sendo quatro quartos e o banheiro; a cozinha, a sala e a parte de cima, que pegava metade da casa, tinham sido construídos depois).
A escada dava para um corredor que ia de uma ponta a outra da parte de cima da casa.
Na esquerda do corredor tinha um pequeno quarto (um depósito) com material de construção e alguns restos de madeira.
Para a direita tinha uma porta que dava para um quarto com porta, maçanetas, janela, lustres, tudo num estilo antigo, meio colonial.
Eu estava pensando que era uma casa maravilhosa.
Agora eu estava indo em direção do outro quarto no final do corredor, que estava com a porta fechada.
Quando eu abri a porta e entrei notei que o quarto tinha sido reformado recentemente, com papel de parede e tudo.
Então finalmente começou: Quase que imediatamente quando eu entrei no quarto, eu não me senti muito confortável.

Parecia que a minha cabeça tinha parado de funcionar.
Apenas a alguns momentos olhando a casa, parecia que era um sonho virando realidade.
Mas no entanto, assim que eu entrei nesse quarto eu não sentia nada.
Só a impressão de que tinha alguém me olhando à minha direita, que era a frente da casa.
Eu virei nessa direção e notei que um buraco tinha sido cortado na parede perto do chão e estava coberto por um saco plástico preso com fita adesiva na parede.
Era provavelmente a entrada para o forro da parte original da casa.
Eu fui até o buraco, e tirei o plástico para poder olhar lá dentro.
Talvez foi porque os meus olhos não estivessem ajustados com a escuridão, mas eu tive a impressão que vi um par de olhos me olhando da escuridão. Então veio os barulhos: estalos na madeira, como se alguém estivesse vindo do forro na minha direção bem devagar.
Eu senti uma sensação estranha, mas parecia que nada estava se mexendo ali dentro, só que os olhos não estavam mais lá.
Eu coloquei a cabeça á dentro e olhei de um lado para o outro, mas só via sombras da madeira da estrutura.
Eu decidi que era só a minha imaginação, então coloquei o plástico de volta no lugar e me virei para ir embora.
Mas eu simplesmente não conseguia me livrar da sensação de que eu estava sendo observado enquanto eu saia do quarto.
Eu abri a porta, sai e fechei a porta atrás de mim. Enquanto eu descia a escada eu tentei esquecer aquela sensação estranha que eu senti no quarto. De novo, eu estava encantado com o lugar.

Eu fui para a cozinha e sai da casa e me afastei uns trinta metros da casa e dei uma boa olhada em volta, pensando como ia ser bom morar em um lugar como aquele. Subitamente eu senti que estavam me observando de novo.
Eu olhei na direção de onde vinha a impressão, e era bem em uma entrada de ar que tinha na lateral da casa onde ficava o forro da parte original da casa. Eu não conseguia esquecer ignorar aquela sensação, não importa o quanto eu tentasse.
Depois que eu voltei para a cidade, eu acabei esquecendo a parte esquisita da visita e só podia pensar na parte boa e de como eu tinha gostado do lugar. Mas eu realmente não estava muito a fim de me mudar para lá sozinho, então eu coloquei isso de lado por um tempo.
Alguns dias depois eu recebi um telefonema avisando que o meu irmão e um amigo dele estavam vindo me visitar.
Eu sabia que o meu irmão queria sair da cidade tanto quanto eu.
Ele sempre falava em vir para o interior morar comigo.
Quando ele chegou ele me falou que o amigo dele e ele queriam ficar comigo o verão todo. Finalmente!
Era a minha chance de mudar para a casa que eu tinha visto!
O meu irmão concordou em dividir o aluguel comigo depois que eu falei sobre o lugar.

Nós falamos com o dono da casa e depois levamos a minha mobília (guardada em um depósito desde a minha ultima tentativa de morar na área) para a casa.
Eu escolhi um dos quarto de baixo do lado do banheiro. A primeira noite foi bem calma.
Depois do terceiro dia, depois de não terem encontrado emprego nenhum, meu irmão e o seu amigo me falaram que estavam indo embora de volta para a capital. Então lá estava eu, morando sozinho em uma casa gigantesca, potencialmente assombrada.
Os barulhos geralmente aconteciam por volta de 11:00pm. No começo eu só ouvia algo arranhando as paredes.
Eu pensei que poderiam ser ratos.
Depois de alguns dias eu comecei a ouvir passos fortes no andar de cima.
Era como se alguém estivesse arrastando algo por aquele quarto estranho no andar de cima. Eu lembro de colocar a minha orelha contra a parede para ver se o barulho vinha mesmo da casa, e realmente vinha.
Como eu tinha um aparelho de som, eu simplesmente aumentava o volume o suficiente para não ouvir os passos que vinham do segundo andar.
Eu geralmente ficava acordado até não poder agüentar mais de sono (geralmente entre 1:00 am á 2:00 am).
Isso era padrão toda noite.
Depois de várias semanas vivendo assim, eu fui falar com um amigo (Diogo) de São Paulo que também estava tentando fugir da cidade grande.
Como ele estava procurando um lugar para ficar, eu ofereci um dos meus quartos.
Diogo aceitou na hora. Tendo cinco quartos para escolher, ele pegou um que ficava no andar de baixo perto da escada na parte da frente da casa.

Na manhã seguinte, Diogo me perguntou algo muito interessante, o que eu estava fazendo andando pra lá e pra cá no andar de cima na noite anterior. Eu falei que não tinha subido lá em cima na noite anterior.
Ele não acreditou e falou que eu fiquei andando no quarto em cima do quarto dele.
Mas eu falei que em cima do quarto dele não tinha nada, só o forro.
Depois de mostrar o andar de cima eu finalmente convenci ele. Agora ele tinha chegado na mesma conclusão que eu.
Tinha um fantasma lá em cima.
Então, do seu jeito estranho de tentar me confortar, eu acho, ele me contou uma experiência que uma outra hora conto.
Diogo ficou na minha casa assombrada pro duas semanas, então se mandou, me deixando sozinho para ser comido pelo que quer que fosse que rastejava no segundo andar.
Algum tempo depois eu acabei esbarrando com uma amiga na cidade.
Ela me perguntou como eu estava e onde eu estava morando.
Quando eu falei para ela, o seu comentário foi, "oh, aquela casa é assombrada".
Então ela me contou a história da casa.
Ela falou que uma família tinha se mudado para a casa a algum tempo atrás e um dos filhos do inquilino ocupou o quarto da frente do segundo andar.
Ele começou a fazer seções espíritas (brincadeira do copo e coisas do gênero) lá.
Muita coisa ruim começou a acontecer com a família, e depois de pouco tempo, eles acabaram se mudando.
Ela falou que o estado que eles se encontravam (emocionalmente) era bem precário, eram só uma sombra do já tinham sido.
Estavam cansados e deprimidos.
Quando eu voltei para casa, eu não tinha certeza se tinha gostado de ter ouvido essa informação extra sobre a casa.
Algumas noites depois tinha tanto barulho no andar de cima, tava uma bagunça, que parecia que o que quer que fosse que estava fazendo aquela zona toda ia descer a escada.
Eu estava tão assustado que já estava fazendo planos de por qual janela pular e qual roupas levar.
Nem o aparelho de som conseguia mascarar o barulho mais. No entanto, nada se materializou aquela noite.
Se eu colocar tudo o que aconteceu comigo enquanto estava lá, ia pegar muito espaço.
No entanto, teve uma noite que eu nunca vou esquecer.
A única tomada de telefone que tinha na casa estava na sala de estar, que ficava em baixo daquele quarto.
Naquela noite eu estava esperando um telefonema de alguns amigos que estavam para chegar. Eu esperei o dia inteiro pela ligação.

À noite, depois das 11:00pm, os barulhos começaram eventualmente.
Eu tinha me acomodado na cama para sobreviver a noite como sempre, quando o telefone começou a tocar.
O som do telefone me assustou, para não dizer coisa pior.
O som dele era quase inaudível devido ao barulho do quarto em cima da sala.
Eu me levantei e fui para o corredor escuro e acendi a luz.
Quando eu cheguei na sala de estar (onde eu sempre deixava uma luz acesa de noite) eu atendi o telefone.
Realmente eram os meus amigos ligando.
Eu tentei parecer calmo, mas o tempo inteiro enquanto eu estava no telefone, eu podia ouvir os passos no quarto acima de mim.
A todo segundo eu esperava ver algo correndo escadaria abaixo, mas nada aconteceu.
Até o meu amigo no telefone percebeu que tinha algo de errado.
Como já era de se esperar, eu nunca consegui um emprego estável então eu fui forçado a mudar (adivinha para onde), sim, de voltar para São Paulo.
Eu coloquei toda a minha mobília em um dos quartos da frente, com a permissão do dono da casa, e me mandei de lá.
Depois de vários meses quando eu fui voltar para pegar as minhas coisas, eu perguntei para o atual inquilino se ele estava gostando da casa. Ele era um antigo policial da PM.

Ele me falou que estava gostando da casa.
Demorou um pouquinho para ele pegar confiança em mim e desabafar.
Ele eventualmente me contou que numa noite ele ouviu um barulho no andar de cima e viu que evidentemente alguém tinha entrado na casa, no quarto da frente, e estava praticamente destruindo ele, embora alguém escalar uma parede lisa e entrar pela janela do segundo andar fosse quase impossível.
Ele me contou que pegou a lanterna, a arma carregada e subiu para ver quem era.
Assim que ele abriu a porta o barulho parou.
Ele olhou o quarto vazio e inteiro, com a janela fechada e trancada por dentro.
Então ele foi dar uma olhada no forro pelo buraco.
Ele entrou lá dentro e foi de uma ponta a outra e não viu nada.
Assim que ele voltou pro quarto e deu mais uma examinada, ele chegou na mesma conclusão que eu tinha chegado quando me mudei para lá.
Ele então me falou que uma noite, já era tarde, ele estava vendo TV na sala, e ele e a mulher viram uma aparição, uma névoa com o formato de uma pessoa, mas nada muito definido, descer a escada, passou por eles indo na direção da frente da casa, e entrou em um dos quartos. Ele foi ver o quarto depois, mas não viu nada.

Eu só voltei lá mais uma vez depois: dois anos mais tarde.
Depois de ter falado a história para uns amigos no carro enquanto estava passando pelo vale, nós fomos para uma das cidades que tinham por lá, paramos em um supermercado para comprar comida e fomos ver a casa. Tinha acabado de escurecer.
Quando nós chegamos, fomos para a porta de trás e eu vi que não tinha ninguém em casa.
Uma das pessoas que estavam com a gente era uma mulher religiosa, e ela colocou a mão na porta e começou a rezar.
Todos nós ouvimos quando os pratos, panelas e a mesa da cozinha começaram a vibrar e a chacoalhar.
Depois foram as janela e a porta que começaram a tremer junto com o resto que já estava tremendo.
Nós voltamos correndo para o carro.

Quando chegamos lá tinha uma estranha substância viscosa na maçaneta do carro que não estava lá quando paramos na cidade a apenas alguns minutos. Não precisa nem dizer que eu nunca mais cheguei perto daquela casa.

A CABANA NA FLORESTA

"O que poderia estar oculto em uma antiga cabana abandonada em uma floresta?
Seriam apenas lembranças e a poeira do tempo, ou poderia haver algo a mais que estaria oculto e longe da simples visão dos humanos?"



Enquanto eu rolava na cama com a maior preguiça do mundo, eu notei que o meu amigo, Lucas, que estava passando as férias comigo na fazenda dos meus pais, não estava no quarto.
Enquanto eu começava a me sentar para sair da cama, um rosto apareceu na porta do meu quarto.

"E ái? O que você quer fazer hoje?" o Lucas perguntou dizendo: "Eu estou completamente entediado."
Ao mesmo tempo em que eu olhava para ele tentando ajustar os meus olhos para a claridade eu falei "vamos dar umas voltas com o quadriciclo".
Ele olhou para mim com um sorriso que ia de orelha até orelha e falou "Beleza!"

Enquanto colocávamos uma roupa pesada e quente, já que íamos para a floresta e era o meio do inverno, a minha mãe entrou no quarto. "Onde vocês estão indo, garotos?" "Nós vamos dar uma volta por ai."
"Bem, vocês precisam tomar café da manhã primeiro" ela insistiu.
Nós devoramos o café da manhã e fomos para a garagem onde estava o quadriciclo.

Nós enchemos ele de gasolina e nos mandamos para a floresta. O tempo estava bem frio e a floresta tinha um leve nevoeiro.
Enquanto nós dirigíamos pela trilha de terra, nós notamos que a floresta não tinha muita vida, como costumava ter.
Era muito estranho, como se alguma coisa tivesse assustado a vida selvagem.
Enquanto eu levava a gente mais para dentro da floresta, a luz ia diminuindo, ela estava ficando mais escura, mesmo sendo de manhã ainda. Então, do nada, alguma coisa caiu na frente da gente, e eu apertei o freio o mais forte que eu pude, não pegando aquilo por alguns centímetros. Era um pedaço de um galho.
"Você está bem?" o Lucas perguntou "Essa foi perto!" "Tá tudo bem comigo, mas você viu o tamanho daquele galho?" eu respondi.
O Lucas deu uma risada, vendo que eu estava bem.

Então nós seguimos caminho e continuamos a entrar cada vez mais na floresta.
A trilha estava quase sumindo, e eu nunca tinha ido tão longe antes, não tinha idéia de onde a gente estava.
Então em determinado ponto vimos uma cabana velha de dois andares, que parecia estar lá a décadas.
Tinha uma varanda na frente que tinha desabado e a porta estava fechada com tábuas de madeira.
"Vamos lá Fábio, vamos dar uma olhada nela"! "Sei lá cara, isso nem parece uma cabana de verdade, parece mais um cupinzeiro!".
"Que isso cara, vamos lá, a cabana ta boa, vamos dar uma olhada!".
Meio que a contragosto eu concordei e fomos na direção dela. Nós entramos pela janela e assim que eu pisei no chão fiquei surpreso com a firmeza dela. Apesar de parecer ter mais de cem anos e dar um estalo ou outro, a cabana era bem forte e sólida.

O andar de baixo tinha duas partes. Uma parecia ser a cozinha/sala e tinha as paredes cobertas de jornal velho.
A lareira tinha desabado já fazia muito tempo, e os tijolos estavam cheios de limo.
Nós fomos para o outro cômodo, e tinha uma escada em espiral nele, com a base cortada fora, só tinha sobrado a parte de cima.
"O que será que tem lá em cima?" o Lucas perguntou com uma certa curiosidade. "Sei lá".
A minha curiosidade tinha sido atiçada. "Vamos dar uma olhada!".
Eu servi de apoio para o Lucas alcançar o que tinha sobrado da escada, e assim que ele subiu ele me puxou para que eu pudesse dar uma olhada lá em cima também.

O andar de cima era todo um quarto só. O ar era muito pesado, e era difícil respirar.
Tinha um velho colchão que parecia que tinha sido deixado para trás, e um buraco escuro na parede, grande o suficiente para alguém do nosso tamanho conseguir rastejar por ele.
De repente nós ouvimos o barulho de alguém andando no andar de baixo.
"O que foi isso?" o Lucas perguntou. "Eu acho que tem alguém aqui!".
Nós não nos movemos, imaginando o que poderia estar a espreita no lá em baixo em uma cabana abandonada no meio de uma floresta.

Então nós dois olhamos para o buraco na parede, e sem uma palavra nós apontamos para ele.
O Lucas entrou primeiro, e depois eu.
Lá dentro era uma espécie de um quarto menor, era bem pequeno e estreito. Estava difícil de respirar lá dentro, o ar estava úmido e estava bem abafado, o que não ajudava nada com o terror que já estávamos enfrentando.
Enquanto estávamos lá sentados, começamos a ouvir sons inexplicáveis.
Primeiro ouvimos sussurros de várias pessoas no andar de baixo.
Com o tempo a voz foi ficando cada vez mais alta e mais aguda.
O Lucas e eu começamos a entrar em pânico, imaginando se sairíamos da cabana com vida.
Então começamos a ouvir os passos de novo, só que dessas vez eles estavam mais pesados e pareciam vir do quarto grande do andar de cima.

Nesse momento a casa inteira começou a tremer, como se estivesse em um terremoto.
Nós começamos a gritar com o terror da possibilidade de alguma coisa entrar onde estávamos e nos pegar.
Mas então a casa foi parando de tremer até ficar totalmente imóvel de novo. O silêncio voltou.
A única coisa que ouvíamos eram os estalos que a casa soltava uma vez ou outra.
"Eu acho que foi embora" eu falei. "Vamos sumir daqui!".
Então eu rastejei para fora do buraco primeiro. Eu me levantei e comecei a tirar a poeira da minha roupa.
"AI MEU DEUS!!! VAMOS SAIR DAQUI!!!" o Lucas gritou. Ele voou para fora do buraco. "O que foi?" eu perguntei.
"TEM ALGUMA COISA LÁ DENTRO! EU VI!" o Lucas respondeu.

O meu corpo inteiro tremeu e eu senti todos os pelos se arrepiarem, enquanto o terror tomou conta de mim mais uma vez.
Nós dois pulamos para o andar de baixo, e assim que levantamos da queda ouvimos uma batida forte lá em cima. "Quem ta aí?" eu gritei. Só ouvimos o silêncio. Então uma figura sombria apareceu no topo da escada.
Era uma coisa grotesca que parecia ter deformidades pelo corpo inteiro.
Depois de uns dois segundos , o Lucas e eu corremos para a janela e saímos o mais rápido possível da cabana.
Nós montamos no quadriciclo e disparamos.
Eu dei uma olhada para a velha cabana e vi uma figura escura na janela do segundo andar.
Pelo momento que eu olhei para aquela coisa, eu notei algo de estranho na expressão dela.
Parecia triste e solitária. Mas eu não pensei muito sobre isso até chegar na fazenda.

"O que aconteceu com vocês?" a minha mãe perguntou em choque quando viu a poeira na nossa roupa.
Nós então falamos da velha cabana que tínhamos entrado para ver o que tinha dentro, mas decidimos não contar nada do que poderia ser considerado "atividade paranormal", porque talvez ela pudesse não entender.

Até hoje o Lucas e eu falamos sobre o que aconteceu naquela manhã de sábado.
Ele me falou que quando estava sozinho no buraco, ele sentiu o que parecia ser uma mão humana pegar na perna dele.


Eu cheguei a conclusão de que ainda existem coisas nessa terra deixada para descobrirmos e entendermos.
E o mais importante, agora eu acredito que o paranormal existe, para o bem e para o mal.
Eu ainda estou desconcertado com o que aconteceu com o Lucas e comigo naquele dia, e jamais esqueceremos aquela experiência. 

A BOLA

Quando o meu irmão e a família dele se mudaram para a casa nova, muitas coisas estranhas começaram a acontecer. O que eu vou contar foi a experiência mais assustadora de todas que ele teve.

Aqui vai:

O filho do meu irmão tinha uma bolinha de borracha que ele adorava. Era uma dessas bolas que você joga no chão e ela pula. Devia ser do tamanho de uma bola de tênis. Ele brincava com essa bola todo dia, jogando ela contra a parede da garagem, fazendo ela quicar e voltar pra ele. Numa tarde ele guardou ela numa caixa junto com outros brinquedos.

Algumas semanas depois, ele foi pegar a bolinha para brincar com ela e não a encontrou. Ele continuou procurando por ela por toda parte, mas não a encontrava em lugar nenhum. Ele procurou por mais algum dias, mas como toda criança pequena, ele acabou desistindo e esqueceu dela.

Vários meses depois, quando o meu irmão estava sozinho em casa, ele estava subindo para o escritório dele. Quando estava na metade da escada, alguma coisa bateu nas costas dele. Quando ele virou para ver o que era, ele ficou chocado ao ver a bolinha de borracha que estava sumida já havia meses rolando pelo chão, como se nunca tivesse sumido. Depois de procurar em volta por alguma outra explicação, ele não conseguiu achar nada. De fato tinha sido a bolinha que acertou ele nas costas. Onde aquela bolinha tinha estado todos aqueles meses? E quem jogou a nele? Não havia mais ninguém na casa para jogar aquela bolinha.

Depois de ver alguns registros e coisas do gênero, o meu irmão descobriu o que podia ter acontecido: era o fantasma de um garotinho, que morreu na casa muitos anos atrás. A família que morava na casa era muito reclusiva. Eles quase não tinham contato com o mundo de fora. Eles tiveram só um filho e eram superprotetores com ele, nunca deixavam ele sair de casa ou ter contato como mundo de fora, então basicamente, ninguém sabia da existência da criança. Era como se ele nunca tivesse existido. Uma vida triste, mas verdadeira.

A ANTIGA CASA DA FAZENDA

Nas férias eu sempre vou para a fazenda do namorado da minha tia, lá em Minas Gerais (eu esqueci o nome da cidade agora). Ele, a minha tia e os meus primos moram lá. A família do namorado da minha tia tem aquela fazenda desde o final do séc XIX.

No verão passado eu tinha ido para lá, como de costume. Só que dessa vez o meu espírito curioso e aventureiro de adolescente não se contentou em ficar somente na piscina e andar de cavalo, eu queria sair e explorar a fazenda inteira.

Depois de um tempo enchendo o meu primo Alexandre (Alex) com isso, ele finalmente concordou em ir junto comigo, já que alem de eu não querer ir sozinha, não conhecia tão bem a região quanto ele.

Nós saímos de manhã um pouco depois do café e fomos dar umas voltas. Quando estávamos um pouco longe da casa da fazenda ele falou "Já que você quer explorar, eu vou te levar para a antiga casa principal da fazenda." Quando ele falou aquilo, eu já sentia que eu ia encontrar muito mais do que eu queria lá.

A casa antiga da fazenda ficava bem longe da outra, nós levamos um bom tempo para chegar até lá. Quando chegamos lá, eu vi que a casa era bem velha. Ela não era tão grande, mas não era pequena. A porta estava destrancada, estava simplesmente encostada.

Não era exatamente aquilo que eu tinha em mente quando eu falei que queria explorar a fazenda, estava mais interessada em um rio, alguma cachoeira, alguma montanha com uma vista bonita, ou até alguma caverna, mas era aquilo que eu tinha no momento.

Nós entramos na casa e a primeira coisa que eu notei é que as paredes estavam completamente arranhadas, com umas manchas amarronzadas que pareciam sangue, mas poderia ser tinta velha também, apesar dos formatos delas serem bem estranhos. O meu primo falou que fazia tempo que ele não ia lá, mas que da última vez que ele foi, as paredes não estavam daquele jeito. Nós estávamos na sala principal. Para a esquerda tinha uma passagem que levava para outra sala (a de jantar) e para a direita tinha um corredor que levava para os quartos. Da sala de jantar dava para ir para a cozinha, e de lá para fora da casa de novo, pela porta dos fundos. Nós pegamos o corredor da direita, para olhar os quartos. Tinham quatro quartos e um banheiro no total. O primeiro quarto estava normal, nada de mais, só poeira. O segundo e o terceiro a mesma coisa. Então fomos ver o quarto quarto, o maior de todos. Quanto entramos eu senti uma brisa fria e um pouco de frio, mesmo a casa estando bem quente e abafada. Nesse quarto tinha um armário e nós fomo ver o que tinha dentro dele. Abrimos a porta e nada. Então eu ouvi o som de passos vindo do corredor. Eu agarrei o braço do meu primo e olhei para a porta. Os passos chegaram perto e pararam na frente da porta. Mas não apareceu ninguém. Eu olhei assustada para ele e sai correndo, e ele veio atrás. Enquanto eu corria pela casa para sair dela eu não vi ninguém lá dentro, só via as nossas pegadas na poeira, a de mais ninguém, apesar de ter ouvido os passos.

Lá fora na luz do sol, ficamos mais calmos. Eu olhei para ele e ia perguntar o que será que tinha sido aquilo, quando ele começou a gritar, do nada. A única coisa que ele falava era "ta doendo". Eu olhei no braço dele e começou a aparecer um monte de marcas vermelhas e brotoejas. O pescoço dele começou a ficar todo vermelho também. Eu decidi que era melhor levar ele correndo para a casa da fazenda para a mãe dele ver o que era. Antes de sair correndo com ele eu dei uma ultima olhada para a velha casa e vi uma fumaça meio cinza na porta de entrada, na forma de uma pessoa. Depois disso eu agarrei a mão do meu primo e sai correndo.

Quando nós chegamos na casa da fazenda a mãe dele viu como ele estava e ficou assustada. Ela levou ele no hospital, e deram alguns remédios para ele tomar. O estranho é que no dia seguinte ele já estava bom de novo, nem parecia que ele tinha tido alguma coisa. Ele me alou que aquela era a primeira vez que ele tinha entrado nos quartos da casa antiga, e que era a primeira vez que ele tinha uma reação alérgica lá, mesmo já tendo ido na casa.

Durante o jantar nós falamos o que tinha acontecido no dia anterior, e falamos dos passos que ouvimos. O namorado da minha tia ficou preocupado, achando que podia ter alguém morando lá escondido, já que isso não era incomum acontecer por lá. Ele resolveu ir investigar a casa no dia seguinte. Como não tinha muita coisa para fazer, o Alex e eu fomos junto com ele. Quando chegamos lá nós entramos na casa, e para a nossa surpresa, as paredes não tinham arranhões nenhum, e nem nenhuma mancha de tinta ou sangue (ou o que quer que fosse aquilo). Mas eu e o Alex não saímos da sala, foi o máximo que nós entramos. O namorado da minha tia procurou a casa inteira e não achou ninguém e nem sinal de que alguém alem do Alex e de mim tenha estado lá dentro.

Nós fomos embora de lá e nem o Alex e nem eu voltamos lá de novo.

A AMIGA DA MINHA FILHA

"Os olhos de uma criança podem ver além da visão normal das pessoas, e nesse momento surpresas podem ocorrer!"



A cerca de um ano atrás, a neta de uma amiga faleceu.
Foi difícil para todo mundo, inclusive para a minha amiga, já que era uma garotinha muito nova (3 anos).

Para tentar ajudar ela e dar algum conforto, nós pedimos que ela fosse nos visitar antes de ir para o funeral (que era a 200km de distancia). Enquanto ela ficou, ela brincou com a minha filha de 2 anos, Marisa, e conversou comigo.

Na manhã seguinte, Marisa acordou lá pelas cinco horas da manhã, sendo que o horário normal dela é normalmente às oito da manhã.

A prioridade dela depois que acordou era me acordar para pedir café da manhã.

Meio sonolenta ainda, eu preparei um copo de leite e um pão com manteiga para ela, e estava quase dormindo sentada quando ela falou:

"Mamãe... Ela está no meu quarto!"

Eu respondi: "Que?"

Marisa: "Mamãe... Ela está na minha cama. Ela quer um brinquedo."

Eu olhei para o quarto dela e não vi nada. Eu respirei fundo e falei para ela:

"Bem, querida, é bom a gente dividir o que tem."

Marisa falou: "Mamãe, ela quer AQUELE brinquedo."
Ela estava apontando para uma boneca na prateleira.
Eu dei a boneca para ela, e ela foi até a cama e colocou a boneca em cima dela, depois virou e veio até mim.

Se eu fiquei assustada? Mas é claro!!!
Pelos próximos dois dias, Marisa falou, brincou e dividiu os seus brinquedos e livros com uma garotinha que eu nunca vi.

Eu acredito que quem estava brincando com a minha filinha, era a neta da minha amiga, que ficou por perto por causa da avó, e só aparecia para a minha filha.
Eu contei para a minha amiga sobre o que aconteceu, esperando que aquilo trouxesse algum conforto para ela, e acredito que realmente trouxe, porque ela ficou mais conformada pela morte de sua netinha depois do meu relato.
Por isso, nunca duvide quando uma criança contar para você que viu alguém ou alguma coisa que você não tenha visto, pois eles tem olhos espirituais mais desenvolvidos do que os dos adultos. 

A AMANTE

"Uma alma atormentada pode clamar por justiça, mesmo estando já em outra dimensão!"


A família da minha mãe tem como país de origiem, a Inglaterra, e tem uma história bem interessante de um dos nossos familiares antepassados, uma empregada de um certo Lorde Breckly.

A história começa em 1856. Lorde Breckly era muito rico e tinha muitas posses, incluindo uma casa em Londres, onde ele ficava a maior parte do tempo. Lorde Breckly tinha um temperamento muito difícil e se dizia que ele tratava todo mundo da pior maneira possível, desde empregados até parentes e até outros Lordes e Leides que iam para visitar casa. E isso incluía a sua amante também.
A sua amante era uma linda garota de descendência escocesa, muito mais nova do que o seu filho mais novo. Segundo os rumores ela era a filha bastarda de um nobre com uma garota escocesa. O nome dela era Ailee.

Ailee era a amante de Lorde Breckly já fazia 6 anos. Em uma noite todos na casa ouviram um grito desesperador. Lorde Breckly e Ailee estavam tendo uma enorme discussão e a minha parenta, que era uma das empregadas, ficou preocupada com a segurança de Ailee.
Todos os empregados subiram correndo para ver o que tinha acontecido, mas eles pararam na escada quando viram Lorde Breckly. Ele estava agindo muito estranhamente e não deixou nenhum dos empregados subirem a escada.
Ele falou que Ailee tinha batido o pé e gritou. Os empregados voltaram para os seus aposentos, não acreditando na história de Lorde Breckly, mas tinham aprendido a ficarem quietos se quisessem ficar com os seus empregos.

Na manhã seguinte, Ailee não estava na cozinha, onde sempre tomava o café da manhã.
Os empregados acharam isso estranho e estavam suspeitando de que Lorde Breckly tinha finalmente ido longe demais, que havia matado sua amante e escondido seu corpo durante a noite.
Por semanas não havia sinal de Ailee, mas a vida na casa seguia o seu rumo, até que barulhos e gemidos começaram a acontecer.
Toda noite por volta das 22:00' (mesmo horário em que haviam ouvido o grito de Ailee naquela noite atribulada), eles ouviam terríveis gemidos e barulhos estranhos. A voz, claramente era de uma mulher que gritava, chorava e implorava por piedade, mas para ela claramente não havia nenhuma.
Isso ocorreu por vários meses, até que em que um determinado dia os empregados resolveram ver se descobriam a causa de todos aqueles barulhos terríveis.
Uma noite quando os gemidos começaram, os empregados juntaram a coragem que tinham e seguiram na direção do som. O som estava vindo do quarto do Lorde, e eles podiam ouvir uma horrível lamentação lá dentro.
Lorde Breckly, sem conseguir agüentar mais as lamentações estava na sua casa em Yorkshire.
Quando eles abriram a porta eles quase desmaiaram de medo, pois Ailee estava de pé no meio do quarto.
Os seus olhos estavam apáticos e sem vida e os seus braços estavam esticados como se estivesse pedindo ajuda.
A minha parenta chegou perto dela e tentou pegar a sua mão.
Por um momento Ailee estava sólida, mas então ela se virou para o closet e desapareceu.
Depois de se recuperarem do choque, os empregados entraram no closet e olharam lá dentro, e olharam do lado de fora perto da porta do closet, mas não acharam o que o fantasma de Ailee queria que eles encontrassem.
Quando Lorde Breckly voltou, os empregados falaram para ele o que tinham visto.
O Lorde ficou branco feito fantasma e no dia seguinte despediu todo mundo e colocou a casa à venda.

A visita noturna de Ailee continuou pelos anos seguintes. Toda noite por volta das 22:00' ela começava a gemer até alguém encontrá-la, então ela apontava para o closet e em seguida desaparecia.
Ninguém sabe o que aconteceu com Ailee, mas alguns dizem que Lorde Breckly a matou e colocou o seu corpo em um compartimento secreto no closet, sendo que ficou apavorado quando o seu segredo quase foi descoberto.
Outras pessoas elaboraram outras teorias, mas a verdade real nunca foi descoberta, permanecendo em segredo até os dias de hoje. 

16º ANDAR



Em janeiro de 2003 eu e uma turma de amigos partimos para a cidade de Porto Alegre com o objetivo de freqüentar o Fórum Social Mundial, sendo que ficamos durante o período de uma semana.

Em nossa estadi
a ficamos no apartamento de uma amiga em um prédio da cidade. E foi ali que tudo aconteceu.
O centro da história não se baseia no objetivo da viagem, mas sim no prédio em que ficamos.
Como o prédio em que nossa amiga moraVA se localizaVA bem na zona central da cidade, ele possui uma história muito longa, sendo muito antigo e muito grande.
Sua estrutura interna, como as paredes, eram de madeira, dando um ar antigo porém clássico; parecia que muita coisa já havia acontecido ali.
O ar também não era comum, dando a impressão que ao entrar no prédio, nos sentíamos em outro mundo, mas o que mais marcou mesmo foram os 2 elevadores de madeira quebrando o silêncio por misteriosos estalos, que a princípio, pensávamos ser causados pela sua mecânica bem antiga.

Nenhum dos companheiros da turma tinha claustrofobia, mas, quase que inevitavelmente ao entrarmos no elevador, sentíamos uma horrível sensação de sufocamento e mal-estar.
No meio daquela semana, em uma noite faltou bebida no quarto, sendo que eu e mais dois amigos ficamos encarregados de comprar cerveja às 3 horas da madrugada (sabe como é, a famosa bagunça em turma).
No momento em que voltamos da nossa busca frustrada, entramos no elevador da direita, pois já estava esperando no térreo (curiosidade: descemos com o elevador da esquerda).
Entramos, e todos são testemunha que pressionei o botão do 7º andar.
Estranhei e comentei com o pessoal que estava demorando para chegarmos em nosso andar.
Quando começamos a contar os pilares, notamos mais de 10 andares passando por nós.
Misteriosamente o elevador parou no 16º andar, sem abrir as espessas portas de madeira oca.
Um terrível silêncio tomou conta do ambiente, enquanto olhávamos um para o outro abismados e ao mesmo tempo buscando alguma explicação para tudo aquilo.

De repente, ouvimos um motor acionando com o ruído bem próximo da gente, e por isso deduzimos que estávamos perto do último andar do prédio.
Conseguimos também ouvir que o elevador da esquerda parou no mesmo andar que o nosso abrindo suas portas, e segundos depois, abrem-se as portas do nosso elevador.
Todos apavorados saem imediatamente do elevador e observam que não tem nenhuma pessoa conduzindo o outro elevador.
Então descemos rapidamente pelas escadas até o 7º andar.

Dois dias depois, ficamos no prédio novamente durante a noite e em todo o tempo em que não conseguíamos dormir, ouviamos claramente que os elevadores não pararam de funcionar, e isso tudo já era de conhecimento de toda a turma.
Às vezes alguns ruídos mais altos me despertavam novamente.

Na manhã seguinte resolvemos comentar os fatos para o dono do bar onde tomávamos nosso café da manhã.
Ele nos olhou com seriedade e ao mesmo tempo com um ar de quem já tinha ouvido muitas vezes a mesma história.
Então nos contou que no século passado o prédio era um hotel, e nele trabalhava um homem que dedicara a vida ao bem-estar e limpeza do local.
Era responsável por toda a manutenção do prédio, bem como dos elevadores, sendo que um fato horroroso acabou com a história do hotel.
O homem, cujo ninguém se recordava o nome, no dia da manutenção dos elevadores, estava ajustando a altura que o equipamento pára em relação aos andares.
Seu alinhamento estava muito acima do normal.
Não se sabe como, mas dizem que ele acabou caindo do 16º andar quando entrou no espaço destinado à ocupação do elevador, mas este não estava no mesmo andar.

Enfim, dentro da realidade... a gente até hoje se pergunta: isso foi uma simples coincidência?
Achamos que sim, mas a partir dessa temporada todos nós passamos a usar as escadas.